A vida tem um jeito curioso de nos atravessar. Às vezes, arrasta-se lenta, chata, repetitiva, como se estivesse testando nossa paciência. Noutras, revela-se perversa, capaz de nos empurrar contra as paredes daquilo que tememos — o fracasso, a perda, o silêncio de quem amamos ou mesmo a solidão de não sabermos se estamos no caminho certo.
Mas, de repente, sem qualquer aviso prévio, ela abre uma janela. E por essa janela entram brisas que cheiram a esperança, luzes inesperadas, e paisagens como essa, onde a manhã se acende lentamente e a névoa abraça as montanhas, como se o próprio céu decidisse descansar mais um pouco sobre a terra. É nesses instantes que o coração se acalma e quase entende a razão de permanecer.
Porque quando Deus nos dá uma missão — não uma tarefa qualquer, mas uma missão — algo muda dentro de nós. É como se Ele soprasse um propósito que nos costura ao mundo. E então, mesmo que a vida seja dura, mesmo que cole marcas, mesmo que o medo nos visite mais vezes do que gostaríamos, nasce em nós uma vontade profunda de ficar. De resistir. De não desistir.
A missão que Deus nos confia tem esse brilho: ela nos tira do desânimo, recolhe nossos pedaços e nos envia de volta ao dia, mais fortes do que antes. E se a vida tem seus desertos, também tem seus jardins. Se tem seus temporais, também tem seus amanheceres. E cada amanhecer carrega a promessa de que, enquanto houver propósito, haverá também motivos para continuar caminhando — ainda que devagar, ainda que com medo, ainda que em silêncio.
Porque viver é assim: um equilíbrio frágil entre o que dói e o que vale a pena. E no meio disso tudo, Deus nos mostra que o tempo nunca é por acaso e que quem tem missão não abandona o caminho. Apenas respira fundo e segue — com fé, com coragem e com essa estranha certeza de que ainda há muito a se viver e muito a transformar.
(Foto tirada no dia 27/01/2026 as 6 horas da manhã, saíde de Água Limpa para Marzagão, descida da Serra da Garapa)


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